Tunísia x Líbia PDF Imprimir E-mail

 Da Fronteira Tunísia x Líbia

Latinos servindo aos refugiados

 
Por: José Rocha Junior, médico e missionário da equipe PMI-Senegal

 “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos." Efésios 2:8-10

 

No aeroporto da Tunísia nossa equipe foi recepcionada por um irmão venezuelano que vive ali há vários anos. Chegamos ao hotel que estava localizado numa cidade a poucos quilômetros do acampamento de refugiados e da fronteira com a Líbia.

No acampamento, nunca tinhamos visto tantas tendas e pessoas juntas. Homens em sua maioria, poucas mulheres e crianças. Moviam-se numa cortina de poeira que cobria o ambiente, o tempo parecia nublado, mas era a areia que encobria parcialmente o sol. Fazia frio e ventava muito, o cenário era impressionante. O acampamento é chamado “acampamento de trânsito”, pois os refugiados ali chegavam e ficavam temporariamente até serem repatriados a seus países de origem. Eram pessoas do Egito, Mali, China, Bengala, Somália, Etiopia, Sudão, Gana e outros.

  

Pelas manhãs saíamos do hotel para o acampamento e ali trabalhavamos todo o dia, regressando ao hotel que, mesmo sendo simples, se transformava num Oásis. Um banho quente e uma cama era a melhor recompensa a cada dia.

A nossa equipe era responsável pela tarefa de dar de comer. A questão é que a multidão era de mais de 15 mil pessoas. Um grande desafio! Nós, os homens, fomos para o trabalho mais pesado de carregar caixas, organizar mantimentos e distribuir comidas aos homens do acampamento. As mulheres estavam encumbidas de cortar legumes, carnes, lavar panelas e auxiliar na distribuição de alimentos para as mulheres refugiadas e seus filhos.

A cada dia pessoas chegavam a fronteira, fugindo da Líbia e do conflito naquele país. Cada um trazendo malas e poucos pertences que conseguiram recolher. Na bagagem também traziam lembranças da viagem sofrida e perigosa. Muitos foram espancados, roubados, passaram fome, ficaram enfermos. Outros viram colegas padecerem no deserto. Encontramos um senhor nigeriano, com esposa, viajaram pelo deserto durante duas semanas. Este homem relatou que enterrou seu filho pequeno de apenas seis meses no caminho, o bebê morreu de fome, sede e frio. Contudo, muitos estavam esperançosos e contentes de chegar a um lugar seguro, onde poderiam ter água, comida e um colchão para dormir.

Cheios de amor, nossa equipe buscou ajudar todos os refugiados. Somamos a irmãos ingleses que lá estavam, outros da Tunísia e mais voluntários que se apresentaram. Juntos formamos uma equipe internacional. Pela manhã distribuimos leite, com frutas ou cenoura, ou ovo com chá. Pelas tardes uma comida quente.


     

Todos serviam com alegria, com gozo carregavam caixas pesadas, com graça lavavam panelas grandes, com satisfação ficavam em pé varias horas, entregando um prato de comida, uma garrafa de água, uma colher, uma laranja. Coisas tão simples, mas ao mesmo tempo tão importantes, com um tremendo significado para aqueles refugiados que as vezes ficavam mais de cinco horas na fila de espera. Somente o fato de estar ali entregando estes alimentos em espírito de oração, rogando pela vida e futuro deles, dando um tapa nas costas, dizendo: "bom apetite", "Deus te abençoe", "ânimo meu amigo, coragem", olhando nos olhos e entregando um sorriso sincero de amor.

Nossa recompensa era ver a alegria com que recebiam estes donativos, ouvindo da parte deles em várias línguas: "obrigado", "Deus abençoe vocês". Os refugiados e as autoridades daquele país islâmico, bem como outras organizações internacionais como a ONU, sabiam que eram os cristãos encarregados da distribuição de comida. O testemunho foi muito positivo para todos. O nome do Senhor Jesus foi dignificado e honrado naquele lugar. Nos dias que Deus permitiu a nossa equipe trabalhar naquele acampamento fizemos tudo com dedicação e esmero, pois não o faziamos para homens mas para o Senhor.



       

       Só nos cabe dizer: “Eis-nos aqui para te servir e servir a humanidade que Tu criastes. Queremos gastar nossas forças e nossos melhores dias para Ti, para que Seu Nome seja glorificado e para a reconciliação de muitos contigo".

Desejo terminar agradecendo a todos aqueles, que naqueles dias em que lá estivemos, pensaram e oraram por nós. Sem este apoio não poderíamos fazer nada. Sigamos orando pelas vidas de todos que passaram por aquele lugar, para que encontrem a Paz.

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